Se a falta de público doeu na primeira edição do Descarrilhado Rock Festival, não deve ter sido por muito tempo, porque os produtores já prometeram a segunda no ano que vem. E a segunda é muito melhor! Acho que a opinião do guita da Cartolas, André Silveira - publicada hoje no
Pioneiro - pode resumir a impressão que fica depois de duas noites não muito lotadas no Vagão:
– Festivais de bandas independentes é uma coisa experimental para todo mundo, tanto para Porto Alegre quanto para Caxias. As pessoas ainda estão aprendendo e Caxias está sendo pioneira em realizar um festival assim.
Pois é, na sexta-feira, o César - sócio do bar - estava um pouco indignado com a falta de público.
- O que eu tenho que fazer, será? - perguntava-se.
Porém, no sábado ele já estava no mesmo clima das bandas, que elogiaram bastante o Vagão. Tanto que sorria e fez questão de prometer à imprensa uma segunda edição do Descarrilhado. E fez bem, porque a cena 'música própria' em Caxias é uma questão de costume e cultura e o tempo pode mudar pra melhor (que lindo).
Tudo bem, de repente o público poderia ter sido maior, o preço poderia ter sido mais baixo. Mesmo assim, quem estava ali pulou, dançou, curtiu, pirou o melão (isso foi o que mais teve).
Replicantes foi o destaque da segunda noite. Cartolas - que, diziam, iria fazer um grande show - até balançou alguns quadris, mas nada que possa se dizer que foi uma grande apresentação: faltou um sorriso, mesmo que amarelo de nicotina. O bar esvaziou no início do show da Ligante, mas é a velha questão do punk rock, só assiste quem curte mesmo.
Uma coisa é certa: nas duas noites as bandas de Caxias fizeram sua parte e mostraram que tem perfil para desbancar muita gente da capital (que acreditamos, é de onde vêm os melhores). Inclusive, estão muito melhores que os porto-alegrenses da Lítera - banda que poderia ter tocado no Festival Gospel, realizado no mesmo dia nos Pavilhões da Festa Italiana da Uva. Foi uma das únicas que tocou cover.
Em todos os shows do Descarrilhado, a caxiense Zava foi a que mais animou, com direito a pedidos de bis. "Como isso é um festival, não podemos ultrapassar o tempo", anunciou um dos integrantes enquanto abria uma caixa de Bis branco. E a Bob Shut, também conhecida da noite caxiense, foi a que mais arrancou sorrisos com as (quase) trilhas sonoras de Malhação. Sim, eles fazem boas canções de novela adolescente. O que não é um problema...só uma análise.
Uma coisa é certa: a banda destaque, tanto musicalmente quanto em relação a performance, foi a Superguidis. Que baita show, que exemplo de rock! Foi a última banda da primeira noite e por isso uma das que menos teve público para assistir.
Mas isso é comum no cenário independente. A música boa, o público nem tanto, mas como sempre digo: é melhor 50 pessoas cantando e pulando em em um show massa, do que 100 paradas ouvindo uma merda. E ficou mais do que provado: Caxias está criando uma cena independente. Como disse antes, ano que vem é MorroStock, GigRock (se existir..vai saber) e Descarrilhado.
E viva a independência, a criatividade e a força de vontade. Que venham os próximos.